
Rojava é o território revolucionário no norte da Síria que, na última década, derrotou o Estado Islâmico e barrou seu avanço pelo mundo, enquanto promovia uma democracia comunal radical, com a autodeterminação dos diferentes povos que ali habitam e uma enorme relevância da luta encabeçada por mulheres contra o duplo patriarcado-capitalismo.
Agora, sob o silêncio e condescendência das potências ocidentais, tem sido alvo de ataques cada vez mais intensos de jihadistas do Estado Islâmico e Al Qaeda, do Estado sírio (comandado atualmente por um governo provisório na figura de Ahmed Hussein al-Shar’a desde a queda de Bashar al-Assad, em 2024) e do Estado turco, comandado por Recep Tayyip Erdoğan. Resistir a esses ataques é, também e sobretudo, defender os valores da revolução naquele território.
Neste momento, protestos solidários surgem nas ruas, em frente a embaixadas Turcas e Sírias por todo o planeta, caravanas de pessoas curdas e internacionalistas de outras regiões seguem rumo a Rojava para se juntar à guerrilha popular.

★ NENHUMA LUTA É ISOLADA ★
As lutas e práticas de resistência estão conectadas, ainda que com suas particularidades. Em todo o planeta, o capitalismo e os Estados são ferramentas coloniais que buscam expandir seu domínio sobre territórios, corpos, povos, culturas. Promovem uma uniformização e o sufocamento dos diferentes modos de vida por meio do consumo, da expulsão, da fome, da prisão, da bala, de sua política de morte e tecnologias de extermínio. E assim como o horror se espalha, as resistências explodem por todo o canto.
Em Wallmapu, território mapuche, as comunidades em luta resistem às investidas dos Estados argentino e chileno e seus pactos com conglomerados e empresas de mineração, empreiteiras, papeleiras, florestais, latifúndios, hidrelétricas. Na Palestina, a luta aguerrida de um povo que historicamente se nega a ser exterminado pelo sionismo e seus apoiadores. Assim como em inúmeras outras regiões.
Uma luta pela afirmação da vida livre, contra o princípio da propriedade e da autoridade, contra a uniformização, contra o extermínio é indissociável de uma perspectiva anticolonial, pelo fim do patriarcado e do racismo. Nesse sentido, podemos entender como os ataques dos quais são alvos os povos curdo, yazidi, druso e palestino são similares aos que atingem os guarani, yanomami, zapatista, mapuche, comunidades quilombolas, entre outros. São povos e territórios que travam um combate ao colonialismo para se manterem vivos; não é uma mera escolha, é uma luta concreta, cotidiana, por vezes silenciosa, que não se restringe a discussões sobre conceitos, não está em polêmicas de internet; está nos territórios, na terra, pela terra e com a terra.
Frente ao horror generalizado, a solidariedade é a nossa maior arma.
Enviamos nosso abraço cúmplice a todos os povos que lutam pela autonomia de seus territórios: de Rojava ao Wallmapu, das retomadas indígenas deste continente à Palestina.
☀️Bijî Rojava!
✸ Wallmapu libre!
Palestina livre do rio ao mar
Vida longa aos povos rebeldes!
Ninguém fica para trás!
PARA LER MAIS:
DEFENDER A REVOLUÇÃO EM ROJAVA! -Nota da Organização Têkoşîna Anarşîst
Defender Rojava é defender a humanidade – Por Leandro Albani
Algumas considerações sobre os incêndios em Puelmapu – Edições Insurrectas e Facção Fictícia
