Haiti x brasil | Sexta-feira, 19/06 | 21:30
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Copa e seleção já não são mais a mesma e nem mobilizam paixões como nas últimas décadas. Segundo o Data Folha, 54% dos brasileiros dizem não ter interesse na seleção nem nos jogos da Copa. O maior nome da seleção é um bolsonarista envolvido em escândalos sexuais, corrupção e crimes ambientais, dos quais sempre se livrou de consequências.
Portanto, para confraternizar e transformar o nacionalismo em decomposição, convidamos para a todos para confraternizar, conspirar, torcer para ou contra o Brasil, mas lembrando que o espetáculo vai embora, mas a resistência dos de baixo continua.
OU LUCRA COM OS DE CIMA, OU LUTA COM OS DE BAIXO
A Copa FIFA 2026 será a maior, mais cara e mais lucrativa da história. Com 48 países participantes, e ingressos de até 11 mil dólares e 13 bilhões de dólares em lucros, o evento será sediado pela primeira vez nos 3 países da América do Norte. Como sempre, e como sentimos na pele quando Brasil sediou a Copa das Confederações em 2013 e a Copa do Mundo de 2014, instaurando um território de exceção dominado por uma empresa transnacional sem investir em infraestrutura ou pagar qualquer imposto, a repressão policial é essencial para a FIFA lucrar às custas da população. Ainda assim, várias cidades do Brasil realizaram protestos e ações diretas contra a Copa da Fifa em 2013 e 2014!

No dia da primeira partida, enquanto a festa de abertura era assistida por bilhões de pessoas ao redor do mundo, movimentos sociais de professores, familiares de desaparecidos, estudantes e muito mais desafiavam os bloqueios policiais e fechavam rodovias ao redor do Estádio Azteca e toda Cidade do México. Da mesma forma que os povos resistiram ao espetáculo capitalista no Brasil, na África do Sul e no Catar, pessoas no México e nos EUA enfrentam a repressão militarizada, o silenciamento midiático.
O país sede mais poderoso também não perdoa nem mesmo jogadores e equipes técnicas. Jogadores do Irã e do Uruguai são hostilizados como criminosos, um árbitro da Somália contratado pela FIFA foi impedido de entrar nos EUA e deportado. E a polícia de imigração estadunidense, o ICE, usa jogos e eventos relacionados à Copa para fazer armadilhas, sequestrar e deportar público e trabalhadores dos eventos.
FIFA: AUTORITARISMO, NACIONALISMO E CORRUPÇÃO SÃO BONS NEGÓCIOS
Para assegurar os recordes de lucros, o presidente da FIFA precisou bajular Donald Trump de forma humilhante, inventando um inédito “Prêmio da Paz FIFA” para dar ao líder do país mais militarizado do mundo para compensar sua frustração em não ganhar o Nobel da Paz enquanto se beneficia e de ao menos 3 guerras no momento.
Mas a relação da FIFA com regimes autoritários não é nova nem rara. Desde o primeiro torneio, em 1930, como catalizadora de um sentimento nacionalista no centenário da república, passando pela sua relação com a Itália de Mussolini e as ditaduras civis-militares na América Latina, como na Argentina e no Brasil, fazendo a ponte entre esporte, identidade nacional, racismo, polícias e, é claro, negócios corruptos.

A segunda Copa aconteceu na Itália de Mussolini. Com saudações fascistas antes das partidas e a ameaça de morte pairando sobre toda a seleção italiana, o campeonato voltou a ser concedido ao país-sede. A comodidade de ser anfitriã e campeã em uma ditadura, quando o clamor nacionalista é sempre bem-vindo, pôde ser percebida em 1978, quando a Argentina sediou e conquistou a Copa no auge de uma sangrenta ditadura que “desapareceu” cerca de 30 mil pessoas. Também marcou a primeira vez que os eventos foram transmitidos daquele país para televisões de todo o mundo, destacando a ligação entre Copas do Mundo, ditaduras (seja com ou sem eleições), publicidade e melhorias na infraestrutura empresarial e de consumo. Com o tempo não foi mais necessário que países-sede comprassem suas vitórias para conseguir mobilizar sentimentos nacionalistas e proporcionar mais controle sobre os fluxos de riqueza e a criação de novos mercados para as elites locais e multinacionais.
SOMOS 54%:
Voltando ao ufanismo brasileiro, a Copa e seleção já não são mais a mesma e nem mobilizam paixões como nas últimas décadas. Segundo o DataFolha, 54% dos brasileiros dizem não ter interesse na seleção nem nos jogos da Copa. O maior nome da seleção é um bolsonarista envolvido em escândalos sexuais, corrupção e crimes ambientais, dos quais sempre se livrou de consequências.
Portanto, para confraternizar e transformar o nacionalismo em decomposição, convidamos para a todos para confraternizar, conspirar, torcer para ou contra o Brasil, mas lembrando que o espetáculo vai embora, mas a resistência dos de baixo continua.
Veja o vídeo do coletivo Submedia sobre a Copa 2026 e a resistência popular: