Ocupação anticapitalista, autônoma e horizontal localizada em Belo Horizonte
Tecendo Outras Redes – Caminhos para a Revolução Ecológica
Tecendo Outras Redes – Caminhos para a Revolução Ecológica

Tecendo Outras Redes – Caminhos para a Revolução Ecológica

O texto a seguir é parte da campanha internacional Tecendo Caminhos à Revolução Ecológica, que traz camaradas internacionalistas para cobrir as mobilizações dos povos e movimentos sociais de base contra a farsa da COP30, a reunião de cúpula governamental e empresarial, que acontece em Belém e pretende debater saídas para a crise climática sem tocar os lucros e o modo de produção capitalista. Enquanto aprova a viabilização da extração de petróleo na foz do Rio Amazonas, contrariando todos os discursos de campanha e de outras cúpulas internacionais, o governo Lula recebe empresas e lobistas enquanto desmata e impacta a vida dos povos no coração da Amazônia para receber o evento. Não podemos nos dar ao luxo de confiar mais uma vez em governos, imprensa, ONGs e empresas para dar saídas as tragédias que eles mesmos constroem. Acompanhe e apoie a iniciativa para expandir as soluções vindas dos de baixo.

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As pessoas mais atentas sabem que incêndios florestais, furacões, secas e inundações estão se tornando mais frequentes, mais extremos e mais perigosos. Sabemos que está mais difícil cultivar alimentos e que as emissões de gases de efeito estufa aumentam a cada ano, a menos que haja uma recessão econômica. Sabemos que, em uma economia capitalista, o aumento da produção de energia verde em escala industrial causa um aumento na produção de combustíveis fósseis, reduzindo o preço da energia e forçando os detentores do extenso capital fixo envolvido na produção de combustíveis fósseis a produzir mais, a fim de compensar uma margem de lucro menor.

Toda tentativa de afirmar que o crescimento econômico pode ocorrer sem as atuais emissões de carbono é apenas retórica embaralhando os números para esconder os verdadeiros custos do capitalismo. Pesquisadores e jornalistas bem pagos que nos dizem que podemos tornar o capitalismo “verde” estão apontando para vários exemplos de dissociação de emissões. Mas se analisarmos mais a fundo, encontramos países escandinavos que estão, na verdade, produzindo enormes quantidades de petróleo e gás, mas isso não conta porque eles estão vendendo para serem queimados em outros países. Descobrimos que o Reino Unido, que também está aumentando a produção de combustível e a fabricação de armas, tem uma economia baseada em grande parte em serviços bancários e financeiros para empresas de combustíveis fósseis e outras indústrias destrutivas. Curiosamente, nada disso conta. Dizem-nos que as florestas contam como um sumidouro de carbono. E, no entanto, se olharmos para um país “verde” como o Chile, muitas dessas florestas estão em terras roubadas de comunidades indígenas. E do Chile aos EUA e Canadá, elas não são realmente florestas: são plantações de monoculturas de árvores. Eles destroem o solo, não fornecem um bom habitat para outras espécies, dependem de produtos petroquímicos e combustíveis usados ​​no corte raso e no processamento e não absorvem nem de longe tanto carbono quanto ecossistemas florestais reais e saudáveis.

A agricultura capitalista é uma das principais causas do esgotamento do solo, que libera gases de efeito estufa na atmosfera. Muitas dessas emissões não são contabilizadas. Práticas capitalistas de silvicultura e desenvolvimento causam incêndios florestais maiores. Essas emissões também não são contabilizadas. Forças armadas e guerras são uma das principais fontes de emissões. Elas também são excluídas da maioria das contagens oficiais.

Continue investigando e veremos que veículos elétricos, bem como projetos eólicos, solares e hidrelétricos em escala industrial, causam imensos danos à terra por meio do desmatamento e da mineração e, em alguns casos, também devastam comunidades humanas. Também fica claro quanto dinheiro as empresas de energia verde, veículos elétricos e captura de carbono estão lucrando, mesmo obstruindo o objetivo de uma economia de emissões negativas.

A conferência climática COP30 acontecerá em novembro na cidade amazônica de Belém, mantendo vivas as promessas do Acordo de Paris, que, em sua essência, afirma que o capitalismo verde e a regulamentação governamental nos salvarão de mudanças climáticas catastróficas. Essa estrutura tem um histórico de 30 anos de fracassos. Eles se propuseram a missão de nos impedir de ultrapassar o perigoso limite de 1,5°C de aquecimento médio, mas ultrapassamos esse limite mais de uma década antes do previsto pelos modelos científicos. E, no entanto, eles continuam a defender mais do mesmo. Não podemos continuar a validar nenhuma parte de sua abordagem.

Chamado da Jornada Internacional Anarquista contra COP30, por CCL-Amazônia

Quem realmente presta atenção sabe que a crise ecológica não começou com os combustíveis fósseis. Começou com o colonialismo, começou com a imposição forçada do capitalismo em todas as partes do planeta. Começou com o Estado, que sempre organiza as economias mais extrativistas e exploradoras que suas tecnologias permitem.

Isso nos mostra que questões como pobreza, dependência de empregos extenuantes e desgastantes, alimentos ultraprocessados ​​e pouco saudáveis, precariedade habitacional, venenos no ar e na água, assistência médica de baixa qualidade ou privatizada, guerras e genocídios são todos parte da crise ecológica. Sabemos que, à medida que aumenta a escassez real causada pela desertificação, pela escassez de alimentos e pelo colapso da infraestrutura, aqueles que estão no poder estão totalmente dispostos a criar bodes expiatórios e assassinar revolucionários e grupos marginalizados para permanecer no poder por mais um tempo.

Se prestarmos atenção, podemos ver tudo isso. Mas poucos de nós sentimos que sabemos o que fazer.

Tecendo Caminhos para a Revolução Ecológica” é uma tentativa de mudar o foco em escala global, transformando o desespero em um grito de guerra contra todas as instituições de poder responsáveis ​​por esta crise, transformando a desesperança em apoio entusiasmado aos tipos de projetos e lutas que realmente fazem a diferença.

Muitos dos membros desta iniciativa vivem em territórios ocupados pelo Estado brasileiro. Nos próximos meses, vamos estreitar nossos caminhos para ajudar o mundo a enxergar quais são os padrões e as características de uma resposta realista à crise ecológica, uma resposta que aborde todas as dimensões do problema, que nos ajude a restaurar uma relação saudável com nosso ecossistema e que nos permita sobreviver à medida que a crise se agrava. A partir daí, veremos quais propostas surgirão que possam ajudar pessoas em partes completamente diferentes do mundo a desenvolver respostas que façam mais sentido em suas situações específicas. No decorrer deste trabalho, publicaremos:

  • Artigos
  • Entrevistas
  • Vídeos
  • Materiais didáticos

Com a sua ajuda, podemos traduzir estes materiais para uma dúzia de idiomas diferentes e distribuí-los globalmente. Eles serão produzidos para se comunicarem bem com públicos diversos, com o objetivo de:

  • examinando estratégias eficazes para a luta
  • compreender por que o atual quadro para lidar com as alterações climáticas e outras questões ecológicas e sociais não pode funcionar, não está a funcionar e está, na verdade, piorando as coisas
  • discutindo as histórias e características de projetos que transformam nossas relações sociais e nossa relação com a terra, disseminando práticas de apoio mútuo e sobrevivência coletiva, gerando abundância não extrativa e ajudando nossos ecossistemas a se curar e se adaptar

Precisamos do seu apoio para causar o maior impacto possível. Esta é a nossa campanha de arrecadação de fundos:

https://www.firefund.net/pathstoecorevolution

Abaixo, apresentamos os relatos de várias pessoas que participam dessa iniciativa, falando sobre alguns dos projetos e lutas inspiradoras que estamos tentando divulgar.

A Teia dos Povos atua atualmente em uma dúzia de estados brasileiros, “ retomando terras indígenas tradicionais, praticando agrofloresta ecológica, produzindo alimentos, energia, água e dando autonomia a milhares de pessoas. Até mesmo fabricando chocolate premium e outros produtos. Eles são uma rede ou teia, organizando-se com assentamentos, quilombos e territórios indígenas ativos há décadas ou centenas de anos. As formas de ajuda mútua praticadas na Teia dos Povos estão mais intimamente ligadas ao trabalho coletivo (mutirão), e aqui tem sido mais comum para a construção e gestão de sistemas agroflorestais. Mas também há trabalho coletivo para construção de infraestrutura, criação de hortas e organização de reuniões. Também é comum organizar trabalho coletivo para coleta de água da chuva, reformas de escolas e até mesmo construção de espaços coletivos.

Membros da Teia dos Povos falam sobre as crenças que os norteiam: “Nossos mais velhos explicaram que Terra e Território são o princípio, o fim e o meio […]. Em que sentido? Falamos o início porque quem não possui terra e está marginalizado na sociedade precisa entender de uma vez por todas que Terra é poder. Que melhor do que direitos é meios de produção, pois ali nós podemos gerar riqueza e construir nossa vida com mais independência. Quem está na Terra precisa fortalecer a consciência sobre o quão importante é a vida e a geração de riqueza desde ali. Que esta riqueza não é só do capital, mas da geração de vida, de conservação dos biomas, de produção de água e de oxigênio porque nossa visão de presente inclui o futuro de nossas crianças, dos futuros filhos delas e dos filhos de seus filhos. A Terra é o meio porque é a condição pela qual conseguimos nossa luta. Quem irá financiar nossa luta? Os capitalistas do estrangeiro que se acham filântropos de lutas, mas possuem largo histórico de sabotagem da radicalidade, que possuem interesses geopolíticos de desestabilizar governos e ampliar suas margens de lucro com nossas lutas? Não acreditamos neste caminho. Nós devemos autogerir nossa luta com nossos esforços e com a solidariedade dos companheiros que longe da Terra podem nos apoiar. Mas, o fundamental vem da riqueza gerada na Terra. Então, ter acesso à Terra é conseguir financiar a luta pelo enfrentamento ao latifúndio, ao capitalismo, ao racismo. É neste sentido que a Terra é o meio de alcançarmos nosso objetivo.

A segunda entrevista examina o movimento por moradia em Belo Horizonte, onde 100.000 pessoas em situação de rua construíram suas próprias casas por meio de ações diretas e ocupações de terras e edifícios. É fundamental enfatizar que não estamos falando apenas de moradia, nem de movimentos que buscam se reconciliar com o Estado e simplesmente ascender socialmente. O que está acontecendo é heterogêneo, multifacetado e transformador.

Quando a pandemia de Covid-19 chegou ao Brasil em 2020, seu impacto tornou ainda mais gritantes os males que afetam os mais pobres… Tais contrastes se tornaram ainda mais nítidos quando o mandamento “fique em casa” não se aplicava a quem não tem moradia. Nem a quem vive amontoado com familiares em barracos e moradias precárias, sob risco de desabamento ou sem saneamento básico. Ocupar imóveis vazios torna-se, em momentos como estes, uma questão ainda mais urgente para a sobrevivência.

Ao contrário dos movimentos de luta por terra e moradia já consolidados e mais estruturados, que definem a organização e o planejamento antes do surgimento de uma nova ocupação, movimentos mais recentes, como o MLP (Movimento de Libertação Popular), surgiram da demanda por organização e solidariedade com ocupações que surgem espontaneamente da auto-organização de pessoas em situação de rua. Após uma ocupação, que não é necessariamente planejada pelo movimento, militantes do MLP e coletivos de apoio, como o Kasa Invisível, se unem para criar apoio material, social e jurídico para garantir a sobrevivência da ocupação.”

Um exemplo é o “Espaço Comum Luiz Estrela”, em homenagem a um emblemático artista de rua que morreu misteriosamente em junho de 2013. O espaço foi ocupado em 2013, no calor das revoltas que varreram o país naquele ano contra os custos de transporte, transformando um antigo hospital militar e sanatório infantil em um centro de cultura e política anticapitalista e anticolonial. Ele abriga um teatro, uma cozinha comunitária, uma iniciativa de permacultura, música e muito mais. A ocupação Anita Santos começou em 2018, quando cerca de 20 famílias ocuparam terras de propriedade da empresa ferroviária estadual. Também foi organizada pelo MLP (Movimento de Libertação Popular), que realiza ações com a Cozinha Comunitária e distribui centenas de refeições gratuitas semanalmente em parceria com o movimento dos sem-teto e a Pastoral da Rua. O MLP organiza uma dúzia de ocupações de casas e terras em Belo Horizonte e região, incluindo a ocupação de 8 andares chamada João e Maria no município de Contagem.

Ajude-nos a divulgar mais histórias como esta, juntamente com as análises que nos ajudarão a construir projetos libertadores, de cura ecossistêmica e salvadores de vidas em todo o mundo, independentemente dos tipos específicos de escassez, opressão e desastre que enfrentamos.

https://www.firefund.net/pathstoecorevolution

Materiais para entender algumas facetas da crise ecológica:

(se algum destes não estiver disponível no seu idioma, talvez você possa ajudar a traduzi-lo e divulgá-lo!)

Revolução ou Morte, por Sub.Media

Mutirão, Clóvis Caldeiras

Por Terra e Território, Teia dos Povos

Ferramentas para Autonomia, Cultive Resistência

A Terra Dá, A Terra Quer, Antônio Bispo dos Santos

Queimada, Pontecorvo

…e muito mais!

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