A Kasa Invisível enfrenta hoje o momento mais crítico de ameaça à sua existência. O sistema judiciário não reconhece o espaço como uma ocupação de moradia nem seu valor para a comunidade, muito menos a preservação e restauro de imóveis históricos que foram tombados pelo próprio em parceria com universidades públicas. Um ataque direto à memória, ao trabalho comunal, às relações e laços sociais e valores básicos como justiça social, apoio mútuo e solidariedade.
Dessa forma, achamos importante nos apresentar mais uma vez e relembrar que A KASA É DA CIDADE!
*arte dos cards por João / @sojoaomesmo
★ O que é a Kasa?
A Kasa Invisível é um espaço ocupado de MORADIA, centro social e cultural ABERTO a toda comunidade. Por mais de 20 anos, os 3 imóveis no centro de Belo Horizonte ficaram abandonados. Construídas em 1938, as casas sofreram diversos danos pela ação do tempo e abandono, mesmo indicadas para tombamento por seu valor histórico e simbólico.
Em 2013, as casas foram ocupadas por um coletivo autônomo de trabalhadoras, desempregados e estudantes dispostas a RESTAURAR, REFORMAR e dar vida para a casa de forma autogerida. A Kasa Invisível tornou-se um ponto de resistência popular no centro da cidade.
★ O que acontece na Kasa?
Além de moradia, a Kasa abriga feiras, oficinas, palestras, mostra de filmes, apresentações artísticas, recebendo sindicatos, coletivos e movimentos sociais que precisam de um espaço para seus eventos e reuniões.
Diversos e importantes coletivos de música independente e experimental já tocaram na Kasa como o Masterplano, Trembase, Pivetz Sounds, Quartas de Improviso e Boteco Ruído. Ensaios de blocos de carnaval como o Estagiários Brass Band e Carona do Amor. O espaço já abrigou inúmeras mostras de filmes como o Subvercine – Festival de Cinema e Subversão e o Festival do Filme Anarquista. O espaço também recebeu inúmeros lançamentos de livros e debates culturais e políticos de movimentos como Teia dos Povos, Cecosesola (Venezuela), ZAD (França) Comitê Indígena MG e muitos outros.
Contamos ainda com uma Biblioteca, ateliê e cooperativas ativas distribuindo arte e literatura de diversos movimentos sociais, urbanos e territoriais, como a Teia dos Povos e territórios de luta indígena, camponesa e quilombola.
★ Patrimônio tombado e espaço da comunidade!
Em 2019, o Coletivo produziu um dossiê sobre o histórico de ocupação e restauração do conjunto arquitetônico a fim de entrar com o processo de tombamento.
Foi justamente o trabalho da Kasa Invisível, coordenado com estudantes e professoras da UFMG e de outras escolas que produziu, um memorial que serviu de base para o tombamento junto à Diretoria de Patrimônio (DPAM). O Conselho ressaltou o grande valor desse trabalho, o qual resgata as memórias afetivas da cidade e discute a função social da propriedade.
É importante lembrar que o imóvel ficou abandonado pelos antigos proprietários por décadas. O DPAM tentou notificar a família durante anos, pois o imóvel, por sua arquitetura e data de construção (uma casa de 1938 em estilo art déco), era indicado para tombamento. Mas apenas com a ocupação foi possível contactar e visitar os imóveis.

★ A Kasa é da cidade!
A Kasa Invisivel passa, nesse momento, por sua mais grave ameaça de despejo. Convidamos todas as pessoas interessadas em outras formas de ocupar territórios e construir novas relações sociais para conhecer, propor e participar das atividades solidárias.
Aordem de despejo contra a Kasa Invisivel JÁ FOI EMITIDA, podendo ser executada A QUALQUER MOMENTO a partir de 17 de agosto!
Pedimos para que tenham atenção para chamados de apoio em nossas redes e venham presencialmente para a porta da Kasa em caso de um chamado de urgência!
NOTAS EM SOLIDARIEDADE:
Apoiadores se organizam para defender ocupação cultural Kasa invisível – Jacobin Brasil
Nota de apoio às Ocupações Maria do Arraial e Kasa Invisível – Sind-REDE/BH
Solidariedade à Kasa Invisível – Organização Socialista Libertária
Em defesa da Kasa Invisível! – LASInTec-Unifesp
Contra a ameaça de despejo da Kasa invisível! Nenhum espaço de política, cultura e moradia a menos em Belo Horizonte – Faísca / Esquerda Diário
* * *







