Ocupação anticapitalista, autônoma e horizontal localizada em Belo Horizonte
1º DIA DA RESISTÊNCIA CONTRA O DESPEJO DA KASA INVISÍVEL – A força da comunidade impede o desalojo no Dia da Habitação
1º DIA DA RESISTÊNCIA CONTRA O DESPEJO DA KASA INVISÍVEL – A força da comunidade impede o desalojo no Dia da Habitação

1º DIA DA RESISTÊNCIA CONTRA O DESPEJO DA KASA INVISÍVEL – A força da comunidade impede o desalojo no Dia da Habitação

Nesta sexta-feira, 21 de agosto, Dia Nacional da Habitação, a Kasa Invisível resistiu à sua primeira tentativa de despejo. Apesar de o risco iminente permanecer, terminamos o dia ainda mais fortes para seguirmos juntos em resistência.

A luta começou com um café da manhã na porta da ocupação puxada por diferentes movimentos sociais e ocupações. Membros do coletivo ficaram dentro da ocupação enquanto a comunidade e uma multidão de apoiadores se organizavam na calçada. Exatamente às 7:30 da manhã, chegaram o oficial de justiça e a família dos herdeiros do antigo proprietário, acompanhados de um caminhão de mudança, criando um momento silêncio e tensão que foi notado pelas pessoas dentro da Kasa. Integrantes do coletivo, apoiadores de diversos movimentos, como o MLB, Teia dos Povos, UP, Boxe Antifa, Resistência Azul Popular, Sind-UTE, Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares (RENAP), e Comissão de Direitos Humanos da OAB, além de advogados populares, parlamentares e assessores, se mobilizaram pacificamente contra a tentativa de despejo.

Movimentos sociais, coletivos e dezenas de apoiadoras protegendo a Kasa Invisíve.

Enquanto pessoas subiam ao telhado e estendiam faixas, o rapper FBC conversava com os trabalhadores do caminhão de mudança e os convencia a não ajudarem no despejo, falando da importância do espaço para a comunidade e o autoritarismo de um despejo como esse. Os dois profissionais desistiram de ajudar no carreto e algumas pessoas ainda ouviram fazer comentários de apoio ao movimento. A tensão aumentava com a presença do advogado dos antigos proprietários, filmando o rosto de manifestantes, enquanto todas as pessoas presentes cantavam, de forma irônica, sobre herdeiros perderem um imóvel e ele se transformar em ocupação: “Vovô deixou, você esqueceu e agora você perdeu”.

Ao mesmo tempo, a resistência também era feita de encontro e solidariedade. Pessoas traziam pães, sucos, café era baixado por cordas da varanda da Kasa. Compramos marmitas coletivamente para dezenas de pessoas presente, almoçamos na calçada, compartilhando comida, conversas e a animação de quem se reúne para lutar por uma causa comum. Enquanto isso, apoiadores que não puderam comparecer presencialmente acompanhavam as atualizações em tempo real por meio de dezenas de canais de comunicação online e perfis de grande alcance que cobriram e deram visibilidade ao ato. No mesmo dia, o PL 547/25, o “PL da Gentrificação”, que permite o avanço da verticalização e especulação imobiliária nos bairros da região central da cidade, era votado na Câmara Municipal e enfrentava também mobilização popular e resistência. A PL foi barrada através de uma obstrução na justiça!



Um chaveiro chegou a ser chamado para tentar abrir a fechadura, mas sequer conseguiu se aproximar da porta da ocupação. Pouco depois, desistiu de cruzar a multidão e foi embora. O oficial de justiça também deixou o local e, por fim, os herdeiros foram embora, prometendo chamar a polícia. A polícia, porém, não veio. Diversos gabinetes parlamentares enviaram manifestações ao comando e até ao governador, demonstrando solidariedade e preocupação com o desalojo de um espaço de moradia e centro social em um imóvel histórico no centro da cidade.


No final do dia, que contava ainda com comício do presidente Lula, também no centro da cidade, o ato do Dia Nacional da Habitação contra os despejos saiu da Praça Sete, passou pela Ocupação Maria do Arraial, também ameaçada de despejo, e chegou à Kasa Invisível, reunindo gritos, cantos e discursos de apoio à resistência. Estiveram presentes centenas de pessoas moradoras de ocupações de BH, especialmente geridas pelo MLB, como Eliana Silva, Maria do Arraial e Paulo Freire.

Depois de duas semanas marcadas por tantas derrotas no campo da justiça burguesa, conseguir barrar o despejo pela força da mobilização, com o apoio da nossa comunidade, de parceiros e de simpatizantes, é revigorante. Mostra que a luta coletiva é capaz de abrir caminhos onde as instituições insistem em fechar portas.

A ameaça de despejo, porém, ainda existe. Ele pode voltar a acontecer em breve. É por isso que precisamos permanecer mobilizados, organizados e dispostos a resistir.
Seguimos em vigília e recebendo uma intensa programação de atividades políticas e culturais em apoio à permanência da ocupação.

Leia mais notícias sobre a tentativa de despejo:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *